EASY MUNDI - Atitudes Humanistas

 

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RELATÓRIO DE GUERRA

Faça amor não faça guerra! Na prática a energia boa sempre vencerá. Mas haja necessidade de rios de sangue e paciência! A raça humana tem muitas dificuldades para aglutinar vontades de expressão humanista. Ela só se move quando 99,99% das pessoas próximas estiverem em apuros graves.

Exemplos:

- Quando em 2015 (segundo a ONU) 3,2 bilhões de pessoas estiverem sem água para beber;

- Ou então se as calotas polares derreterem completamente em 2040 (quando os nossos netos tiverem apenas 30 anos!);

- E ainda, se os oceanos subirem os seus níveis em 6 metros (o que será das regiões mais baixas do planeta?).

- Quer lembrar o que aconteceu com as tsunamis da Ásia? Ou o Katrina em Nova Orleans? 

Alugue o filme documentário “A verdade inconveniente”  de Al Gore na primeira locadora  e crie consciência.

Se a queda de um meteoro pronunciar uma nova idade do gelo (aí sim!), 99,99% dos homens se unirão.

Mas, logo, logo, algo pode se tornar irreversível...

 

 

Poucas coisas criam no homem as condições do “faça amor, não faça a guerra”.

As guerras sempre são particulares. Quanto você quer ganhar para organizar uma?

Vamos lá, não se acanhe, não. Diga quanto... Está na hora de você ganhar muito dinheiro!

Faça o “loby” e vá a luta por uma guerra explosiva, daquelas que colocam bilhões de dólares nas contas dos seus amigos...

Guerra pequena não compensa. Você precisa de um bom serviço de loby, até para derrubar um ou outro governo que não aceite o projeto da sua guerra.

 

Logo, todos vão reparar que ela vai ser importante para muita gente. Com uma guerra bem projetada você até aproveita para distribuir renda. E as pessoas que morrem? Isso não tem problema, elas iriam morrer mesmo!


Pois então, se não aglutinarmos ENERGIAS e não criarmos consciência, nós não vamos evitar as guerras trágicas  ... e todas  de interesses particulares!...


Somente uma energia aglutinadora provoca o medo nos algozes e nos lobistas. Todos os algozes são frágeis. Quando estão desamparados se suicidam, ou escondem a cabeça num buraco.

 

As guerras sempre se desenvolvem pelo lado amoral dos seus planejadores. Aqueles que atacam ou se defendem não sabem de nada. Eles não conhecem os objetivos do lucro dos seus idealizadores.


Nós já sabemos que estas guerras se fundamentam em doenças emocionais graves!


Sempre foram doentes mentais que deram origem às guerras. Assim, são ferozes e desumanos todos aqueles que atacam, como são aqueles que se defendem. Ambos se matam: vencedores “inocentes” e vencidos “inconseqüentes”.

 

Sabe-se que uma guerra é realmente uma estupidez. Não se conhece uma sequer que tenha resultado da vontade pura de uma coletividade inteira.


Quem ainda faz guerra de verdade é  índio, quando alguém quer invadir suas terras milenares!


Normalmente quem faz as guerras sempre é uma meia dúzia de malandros espertos que estão bem entrosados e numa posição aparentemente confortável. Ou então, é um só homem com uma doença psicológica grave (em épocas mais remotas esse tipo de doença, não era conhecida como tal). 


Em 1980 os orçamentos militares somados de todo mundo atingiram 320 bilhões de dólares. Pois em 2005 esse mesmo orçamento já somava 1 trilhão e 250 bilhões de dólares, ou seja, em 25 anos eles foram  incrementados em 400%!!! Porquê? 

 


Em 2005 o custo de um submarino atômico de tecnologia avançada, e bem aparelhado, daria para executar o saneamento básico de todas as populações da África!!! 


Conforme diz Israel Klabin: Somente poderemos corrigir uma distorção, se auto-desenvolvermos pequenas ações constantes e somadas aos valores humanistas em todo o mundo.

 

Mas todos os mortos que acontecem numa guerra sempre são a parte menor. Os mortos já morreram e foram enterrados em covas individuais ou valas comuns. Eles todos teriam que morrer mais tarde ou mais cedo. Então, “eles apenas pereceram antes da hora” e os cânticos póstumos só serão oferecidos aos vencedores. A historia nunca se constrói com vencidos. Os vencidos fariam uma história fraca. Ninguém teria vontade de ler.


A parte mais expressiva de uma guerra sempre são as fendas emocionais das “platéias”. 


Esse produto, executado por homens loucos e os seus “amigos íntimos”, é algo que vai render lucros fabulosos. A pirâmide do poder vai se encher com ouro desde o topo até a base.

 

Este conjunto muito restrito de pessoas sempre faz um projeto de ódio que se espalha pela sociedade inteira, induzindo a que muitos homens, por heroísmo, se armem contra outros homens e então todos se matem mutuamente. Cada um deles, individualmente, não repara que tem as mesmas falhas, as mesmas deficiências, as mesmas dificuldades, a mesma desinformação. 


Na verdade, o que faz proliferar as guerras, é a falta de informação! Se eu conhecer bem um iraquiano e criar com ele bons elos de amizade, nunca aceitarei fazer parte de um “front” de guerra contra iraquianos. Depois não importa muito se eles sejam xiitas, curdos ou sunitas. Eu nunca os matarei.

 


A informação não permite a concentração de verdades convenientes emitidas por esses grupos de amigos íntimos. Eles são os únicos donos da guerra. Não importa tanto o tipo de armas. Se são canhões, morteiros, bombas atômicas ou pequenas bombas cirúrgicas limpas, dirigidas contra alvos fixos ou móveis, através de células de inteligência artificial.


Ontem você, assim como eu, poderia ter ouvido pelo noticiário da tv sobre aquele tal país que até a sua independência recente, reconhecida internacionalmente, teve um total de 1 milhão de mortos.

 

E mais ainda! Algo que causa espanto e admiração: todos esses mortos foram legítimos! Não ocorreu nenhuma destruição em massa. Foi algo dentro do respeito às normas internacionais da guerra!


Todas as mortes obedeceram às convenções de Genebra: foram mortes absolutamente legais, normais e leais de guerra! A guerra é um produto perfeitamente normatizado...


Veja só! Depois de 1 milhão de mortos, a independência vai ser usada por quem? Para que?

 

Mas “tudo bem”...! Entretanto, essa guerra que se desenvolveu recentemente entre irmãos, no mesmo território, por acaso corresponde a nações desiguais? (ou às mais diversas etnias).


Mesmo assim, ao final, ficaram espalhadas mais de 100.000 minas terrestre, todas armadilhadas nos campos de arroz e de trigo... Elas poderão explodir a qual quer momento nos  próximos  anos fazendo mais  100.000 mortos ou 100.000 amputados! Mas “tudo bem...”.  Hoje já não tem “problema” (a independência já é nossa!)... E, essas 100.000 futuras mortes devem acontecer aleatoriamente. Elas serão restritas aos noticiários locais (até devidamente censurados). Vão acontecer em média umas 200 a cada mês, algo como 3.500 a cada um dos próximos anos.


Essa situação “relativisa” a importância comparada com a independência já reconhecida pela “comunidade” internacional a este “grande povo”. E mesmo que os campos de arroz ou de trigo estejam sujos de bombas, esse fato hoje é pequeno, “importa pouco...”. À medida que uma parte desses 100.000 mortos ou amputados forem pequenas notícias, os campos serão limpos e as flores voltarão a reciclar a vida. Depois de 1 milhão de mortos, o que importa mais 100.000? Serão apenas 10%!

Pois bem, de agora em diante, não haverá mais heroísmo. Só haverá morte por acidente! Também não haveria mais história que comportasse 100.000 heróis. “Agora já era!” A guerra já está ganha! A independência já foi reconhecida! Nós podemos ter mais 100.000 acidentes, apenas...


Tudo está mudando para melhor! Mais ao norte, acima da foz do rio, vem as boas noticias de mais campos de petróleo. Mais rápido do que se possa pensar a produção irá de 50.000 barris a 800.000. Com isso “o nosso povo” ficará mais independente, livre e rico e eu, com absoluta certeza, serei reeleito por aclamação do meu povo e pelo “poder” que será referendado pelo meu partido. 


Ouro negro! Ouro negro! O nosso país independente e rico...! Eu serei reeleito por aclamação! Quem sabe não poderia pensar num cargo vitalício, principalmente agora que só restou a força eleitoral deste nosso partido. O caminho para o socialismo (já que agora a China transformou o comunismo em heresia) está a um passo de realizar-se. Mas, na verdade, eu só tenho uma duvida: o que farei mesmo com este tal de socialismo preguiçoso e apodrecido...? Deixa pra lá!

O que importa então 1 milhão de mortos, já quase esquecidos de ontem, se eu passei de Secretario Geral do Movimento para a Independência ao primeiro “presidente eleito”   “democraticamente” do “meu país?” Por vontade do “meu povo” a nossa história verdadeira começa aqui... . Além disso, todos os “meus amigos e companheiros” tiveram a sorte de se eleger e formar um parlamento homogêneo que promulgará todas as leis necessárias a este novo país.


No meu pensamento os sonhos voam. O nosso dia da independência vai ter parada militar. Precisamos mostrar o nosso poder. O povo tem que reconhecer que nós somos fortes apesar dos grandes males provocados pelas línguas de esgoto que escorrem a céu aberto nas nossas cidades. Apesar da falta de água potável, alimentos, vacinas, próteses para os amputados, comida, etc... tudo vai bem!


Entretanto, agora, os nossos historiadores não vão parar de trabalhar. E os poetas vão ter que exaltar os feitos dos heróis mortos. A parte do povo que “venceu” sempre tem que estar relembrando as suas glórias.


Enquanto isso, todos precisam esquecer um pouco as dificuldades “provisórias”. O avião presidencial era uma necessidade imediata, para que o presidente possa representar o seu povo. Viva o presidente. Vida longa para o seu avião.


Nós precisamos encher muitos livros com façanhas e heroísmo. Vamos retratar todas as “espadas que atravessaram o coração desses vencidos”, ainda que eles, antes da guerra, tenham  sido os  nossos irmãos.


E com toda essa força vamos construir arquetipos! Vamos venerar todas as almas boas, menos as daqueles que perderam.


Desse modo, se mais ou menos meio milhão for a cota dos “vencidos” eles vão estar realmente fudidos! Ninguém os cantará em cântico ao sofrimento dos “vencidos”. Que se danem! Cantá-los seria uma traição à Pátria.

 

A vida é assim: somente as palavras “mais meio milhão” vão iniciar a música do nosso hino nacional. Os mais destacados terão as suas estátuas em parques e pelos seus nomes se conhecerão as avenidas. As ruas com o esgoto a céu aberto não terão nomes dos vencedores. Elas terão que ser limpas como “a alma dos nossos heróis!” Aqueles que mais mataram. Aqueles que mais se “distinguiram” a favor da nova Pátria.


O grande problema desta guerra, que você vem seguindo, é que ela acabou de ser real. O 1 milhão de mortos existiram. Mas só uma pequena parte dos canais de tv do mundo lhe deu destaque. Isso por que essa guerra da independência já durava há muito tempo, e uma parte dessas mortes, já eram velhas...  Morte velha não dá notícia. Só dão notícia as mortes com sangue quente!

 

Entretanto, há uns 20 anos eles estavam todos vivos. O país e o seu povo ficam bem perto daqui, talvez a 8 ou 10 horas de avião do lugar onde você se encontra agora. Não é ficção. Se juntássemos todo esse sangue derramado, daria um pequeno riacho que tingiria os campos de vermelho. O jornal que você acabou de ler ontem, tinha essas notícias... . Mas já eram notícias sem grandes emoções. Os mortos já tinham morrido... E, assim, a vida vai ficando anestesiada, tóxica. As pessoas ainda vivas vão esquartejando a sua própria sensibilidade junto...


É realmente assim, o pior de uma guerra não são realmente os mortos. São muito mais as fendas emocionais. São os filmes ao vivo que ficam na sua cabeça. São as rupturas psíquicas, as reparações, as perdas dos vivos. O grande problema de uma guerra é lidar com os destroços, é ver um pedaço de carne podre e a outra “com vida”. O grande problema de uma guerra é o poder anestesiador do desdém. São as fronteiras invisíveis do sofrimento humano que os jornais não corrigem. São os retratos nos filmes editados.


O pior de uma guerra é a indecência dos seres humanos. Aqueles que ordenam os ataques e aqueles que se defendem destruindo. É a indecência daquele grupo íntimo, que abocanhou os exércitos e com eles explode horrores. É esse grupo íntimo que mistura sangue com torneiras de ouro nos seus palácios de poder, sem o menor pudor pelos que sofrem. É o aviltamento de uma alma humana apodrecida.


Os íntimos ganharam a guerra: eles merecem partilhar o conforto. Mas cada um que partilha o poder nunca esteve no “front”, não comeu poeira misturada com sangue. Quem partilha o poder é o mais astuto, o mais covarde, o mais medroso.


Se um dia levassem “um futuro vencedor das guerras” até perto de uma trincheira, onde alguns soldados se cagam de medo, por certo, “esse dono das guerras” se suicidaria de pavor. Antes de pertencerem a qualquer elite bélica, eles facilmente trocariam a sua condição de vencedores, pela de vermes, para que pudessem ter a chance de se esconder.

 

Nesse circulo íntimo, como nenhum deles teve a oportunidade de “pintar” as cuecas de “marrom” no “front”, logo se transformam em generais, presidentes, ou qualquer burocrata do estado militarizado. Todos esses crápulas desprezam os sargentos e os tenentes. Então, (um dia qualquer!) depois de mil ardis, essa classe mais baixa (meia proletária), sem chances e desprezada, empunha as metralhadoras “fk50”, rende os seus chefes coronéis, prende os generais, declara o seu golpe de estado e se autopromove... Aí, uma nova guerra vai começar!... Tudo se renova, tudo se transforma.


Desse jeito, quanto essas novas caras vão ganhar pelo novo investimento? Eles estão aproveitando a sua oportunidade. “Aproveite a sua...”. “Quem dá mais pela sua guerra?”.


Desse modo, as guerras mais sofisticadas, provocadas pelos países “verdadeiramente” democráticos, também são a outra face do caleidoscópio das guerras. A mesma farsa, a mesma empulhação.


Os parlamentares (todos interessados em partilhar o botim particular) estão aí para legitimar as ações do “cabeça” das batalhas. É como se estivessem legitimando a cabeça da “serpente”.

 

Então, esse Pequeno Novo Núcleo de Íntimos que estava sofrendo de alijamento e dos mesmos graves problemas mentais, recebe do parlamento o endosso para salvar a Pátria com o mesmo exército! Ou preferem “entregá-la” ao “inimigo comum”? E quem definiu qual era o inimigo comum foi o novo “lobby”...


Depois que está definido o novo “inimigo comum” vamos nos armar cada vez mais para fazer frente às ameaças. Os arsenais aumentam de cá e de lá e o nosso “glorioso povo” vai ter que passar fome e pegar em armas para defender “a pátria ameaçada”, morrendo por ela!...


Enquanto isso, os agora novos generais (por que os da “primeira guerra particular” já estão todos presos) se aliam aos burocratas de colarinho branco que, esses sim, sempre dão sustentação a qualquer dos lados. Todos estão ligados ao novo chefe do “governo provisório” que vai acumular as funções de comandante do exercito!...


Desse modo, o novo grupo íntimo reciclado, vai promover uma mudança de hábitos. Não se toma mais cerveja, apenas wisky faixa preta e vinhos importados do tipo “Romani Conti”. Os novos “vencedores” precisam comemorar “chique”. Os novos hábitos farão a diferença...


A mídia já está controlada. Mais de 70% de toda imprensa que apoiava o ex-governo, já apóia o atual. Quase toda a mídia vai dizer o que a “nova pátria” quer ouvir. Direta ou indiretamente os bancos de investimento vão financiar os saldos negativos dessas empresas jornalísticas que controlam a opinião.


Os banqueiros, que sempre ficam do lado de qualquer “governo provisório” ficam agora mais próximos dos novos generais e dos “chefes dessa nova democracia”. Rápido, rápido, todos vão defender a tese de uma “pátria ameaçada” pela geopolítica ou pelo terrorismo internacional: “bobo” terrorismo “inocente”! Mata para fazer o jogo dos malandros.

 

Então, esses terroristas de merda vão se implodir e implodir alvos civis aleatórios, repletos de vítimas inocentes, iguais à família deles, que também sofre. O terrorismo ao invés de escolher alvos militares, vai matando todo mundo indiscriminadamente “como se a vala comum” fosse o seu foco. Não importam escolas, hospitais, estações, ... São as suas razões legítimas que importam.


Tudo vai às mil maravilhas!!! “Os bobos terroristas” estão fazendo o nosso jogo. Nós precisamos de mártires. Nós precisamos que toda a mídia esteja a nosso favor. E contra esses amadores de guerra, que não escolhem vítimas. A mídia tem que estar contra esses grupos que praticam as mortes em quantidade e fora dos padrões de Genebra. É a morte pela morte e o sangue pelo sangue.

 

Assim como esses “bobos terroristas” ficaram a nosso favor com as suas ações desumanas, se algumas “mídias sem máscara” derem importância a uma verdade mais ampla, nós iremos dar um jeito para que soe como uma mentira!!!!! Desse modo as mídias que não soem “normais” não vão receber favor dos órgãos públicos. Ou seja, aquelas que não dizem as verdades (as grandes mentiras!) que todos estão preparados para querer ouvir. É como aquele grande partido, daquele país distante, que fala a mentira tantas vezes repetida que ela acaba soando como verdade. Até ex-juízes das instâncias superiores dos tribunais apóiam totalmente as verdades absolutas ainda em seus cargos “vitalícios” para logo em seguida se aposentarem nos governos.


Essa guerra das influencias “mesquinhas”; das tiranias mascaradas de democracias, acaba se transformando numa outra guerra dentro das guerras: é chamada guerra da informação.


Pobres dos informados!!!


Pois então, naquelas guerras que deram certo, nunca se vai dar importância a um grande número de “vencidos” mortos, mesmo superior a 500.000. Foi “uma guerra leal” dentro das tais convenções de Genebra, com respeito aos “vencidos”. Nenhum país vai ter a coragem jurídica de apelar para eventuais crimes. 1 milhão de “mortos juntos” ocorreram “dentro das normas”.  Não são crimes! Foram apenas acontecimentos dentro das fronteiras de um país que seria “soberano”.


Os recentes envolvimentos, já deram certo, pois o núcleo íntimo dos novos “chefes vencedores” está bem perto do petróleo. Esse delta sedimentar do rio foi a salvação!... O novo grupo de poder, que deu a volta por cima, está coincidentemente sediado nessa parte rica do território, bem próximo dos detentores das riquezas. Eles mesmos teriam ajudado a financiar mais de 100.000 metralhadoras FK50 aos tenentes e aos sargentos.


Será que os homens do norte poderiam ter ficado fora deste “jogo de xadrez?” Claro que não! A riqueza nunca vai ficar fora do jogo que vai ser jogado.

Mas tudo bem!... Se na primeira etapa desta guerra morreram 500.000 “vencidos” e 500.000 “vencedores”, desta vez no golpe de Estado, a guerra foi cirúrgica. Foi jogo rápido. Só os antigos generais foram presos, juntamente com o ex-chefe de Estado Maior.


Esta 2ª etapa da guerra foi limpa! Na primeira, o jogo tinha sido empatado entre os mortos. Todos estão no céu! Aliás, quem está no céu são os vencedores. Os vencidos foram todos parar no inferno. Mas nesta nova fase, o jogo foi ganho pelos vivos, que estavam bem perto do poder. Eles tinham uma “certa simpatia” das companhias petrolíferas.


Pois bem, o petróleo é o guia.  Agora o novo núcleo íntimo pode fazer a “merda” que desejar!

 

Tão cedo não haverá outro golpe de Estado. Tudo está consolidado em torno da vontade dos noves chefes. Pela insatisfação do povo todos serão eleitos democraticamente.


O novo presidente acaba de ter uma idéia maravilhosa. Como ele precisa de se eleger no mínimo por mais um novo período, uma parte dos recursos do petróleo devem ser dirigidos para o programa “ajuda aos pobres”.  Ou seja, em vez de se investir na infra-estrutura terrestre, aérea, portuária, nos esgotos, universidades e ferrovias (que logo darão resultados em médio prazo) o melhor é dirigir esse potencial financeiro para 10 milhões de famílias, vezes a média de 4 votos por família....Só ai já perfazem 40 milhões de votos de “graça”. Esses já estão “no papo”. Desse modo, fica tudo como estava, ou bem pior. Mas, no mínimo, enquanto houver pobres neste país, a minha vitória será certa!


Estamos agora plantados numa encruzilhada: o que fazer com mais da metade do povo “vencedor”? Esses 37 milhões de “vencidos”, que se danem. Quanto aos outros, vamos ver!


O grande problema é que o voto de graça sempre sai muito caro aos pobres!... É como o almoço de graça. Entretanto, talvez com um presidente de veia populista, ou quem sabe, ligado a um passado leninista–paternalista, devemos ter que ser obrigados a transformar a sociedade “num novo modelo”. Não se sabe muito bem como! (se até a China em breve vai ter um bilhão e trezentos milhões de capitalistas).


Mas, em suma, nós precisamos controlar as longas fronteiras terrestres deste país.  Para isso, é melhor encomendar logo um milhão de fuzis automáticos com o nosso excesso de petro-dólares. Quanto à nossa fronteira marítima deixa pra lá: os nossos inimigos não devem saber nadar! Dessa, estamos a salvo! Pelo ar também não tem problema: neste país os aviões não sobem, nem descem. Ou ficam no chão, ou caiem!

 

Esses são apenas apagões de competência acidentais.  È melhor dar aos pobres do que fazer infra-estrutura aérea para enriquecer o povo. Se a classe média desse país for rica, ela indiretamente enriquece os mais pobres... Aí, eu não tenho chances de me candidatar de novo.


Para não deixarmos descontentes os profissionais da guerra, temos que comprar aviões de combate e alguns submarinos velhos. Desse modo, se houver algum problema de transporte nós ainda podemos com as nossas forças navais e aéreas, dar uma carona aos mais necessitados que ficam em fila quilométrica esperando uma vaga no avião. Entretanto, tudo que há de última geração (que é caro!) fica com os países mais ricos, que sempre são os que detêm a última palavra no jogo do poder.

 

Pois bem, apesar dessa “Santa” crendice “este nosso País” precisa ser defendido! Precisa manter a sua unidade territorial (não se sabe muito bem para quê, mas vamos lá!). Você como presidente e ainda como comandante em chefe de todas as forças bélicas aquarteladas, tem a obrigação constitucional de manter “o povo unido sob a mesma bandeira”. Você é um homem que gosta de “cheiro de povo”. Você é um democrata quase de nascimento.  Foi exatamente por isso que você foi eleito. Entretanto “gerenciar”, ou “governar”, ou “administrar” , as coisas mais importantes deste país. Isso, deixa pra lá!... Existem pessoas predestinadas que já nasceram para a “coisa”... V. Exa. é um pré-escolhido, um pré-eleito, para não dizer um pré-anunciado!!! V. Exa. é um Pré Salvador.


Para tanto você conclui que precisa de muitas armas para defender esse “nosso querido País”.  Mas se de algum modo não houver dinheiro suficiente para comprar armas, nós “soltaremos os movimentos sociais”: todos com as suas foices e enxadas, nos ombros, percorrendo as estradas esburacadas, invadindo ou agredindo aqueles que não acreditaram nesta causa da transformação da sociedade.


Entretanto, entre foices e enxadas, existe um certo dilema no ar: Os pólos de exportação do socialismo e do comunismo do planeta fecharam as portas e decretaram falência. O que fazer então sem ter um modelo, salvo aquele que desponta no grande continente. Naturalmente com a maior reserva de combustíveis fósseis conhecida fora do oriente médio. Ele vai ser mesmo um novo modelo de exportação de pobreza. “O paternalismo e populismo é nosso... e eu sou o poder”.


Fica então uma grande lição da nossa “luta comum”: se for preciso o nosso povo irá à guerra em prol da pátria unida. Nada é tão mais importante que a nossa pátria (embora a gente não saiba muito bem o que fazer com ela...).


Tudo que acontece neste país após a sua independência é uma benção difícil de decifrar. Como o “concerto” das nações aprovou a nossa área de “influência extrema” e fomos admitidos como membro da Organização Internacional das Nações Amigas (OINA), precisamos lutar ao longo dos próximos anos para termos direito a um “assento permanente” e “voto com veto”. Para isso o nosso exército estará disponível para as ações necessárias do interesse comum, em qualquer lugar do planeta, para semear a “democracia”.

 

Logo, logo, o nosso povo, ex-vencedor duas vezes, em breve lutará ao lado de outros povos em missões especiais. Lutará em lugares bem remotos a difundir “aqui e além” a verdadeira democracia dos outros. Nós somos exatamente um povo escolhido. Mas infelizmente nós não conhecemos nem a nossa!


Além disso, precisamos adquirir prestigio na OINA. Com uma missão como esta (quem sabe?) você não poderá vir a pleitear o tão desejado assento permanente (com direito a veto) na Assembléia Geral dessa organização.


Um dia, quando essa oportunidade chegar, todos poderão desejar; mas basta você sozinho não querer e nada acontecerá. O direito a veto é a estratificação do poder internacional! Você sozinho poderá mais que todos. É a chamada estratificação do poder dos sócios bélicos.

 

Todos poderão desejar, mas basta você não querer e nada acontecerá!!!


O direito a veto é anulação do poder internacional! Você sozinho poderá mais que todos. Basta que seus interesses sejam contrariados:  é prestígio puro....


Esse prestígio sempre ajudará você a transpor dificuldades internas como desemprego, falta de empreendedorismo,  falta de infra-estrutura, zero de institutos de estudos de sabedoria e pesquisa. Mas esse povo que o elegeu saberá entender o quanto é importante esse alinhamento militar com as nações amigas (da guerra).... “O povo entende”.


Depois das despedidas, dos abraços, das lágrimas, “felizmente” o “nosso querido povo” está de novo em guerra por uma boa causa. É a sua terceira etapa. “É um povo pobre, sofrido, mas querido”. “É um  povo que sabe lutar pelos seus ideais”. O parlamento foi quase 100% unânime em enviar as tropas. Ainda bem que somos um país democrático: “a vontade do povo” deste país se fez...


Todas as lágrimas de despedida já ficaram para trás. As tropas acabaram de desembarcar no interior de uma floresta tropical. A companhia de serviços e suprimentos, apoiada por um pelotão de especialistas em transporte de alto risco, na selva, chega á sede do batalhão para substituir uma outra que estava se desmobilizando e iria se retirar para casa!


A uma pequena distância, se ouvem sucessivas rajadas de metralhadora: a guerrilha está próxima. Os soldados que estão chegando no cais de água doce se apavoram. Os que estão de saída debocham e dizem: “isso aqui é somente um batismo...”.

 

As tropas operacionais permanecem na sede do batalhão. A substituição é no setor de serviços: não há o que temer... Além disso, o general de brigada se hospeda numa parte da sede do batalhão, pois tem aí o seu quartel general.


Essa noite... É uma noite sem fim...


As rajadas prosseguem em intervalos curtos e irregulares. Ninguém dorme. O objetivo dos guerrilheiros, escondidos na floresta fechada, é destruir o moral do exército novo. É sempre assim. Com soldados novos é um massacre psicológico constante. Ninguém imagina essa situação humanamente possível!

 

No horário do almoço os soldados chegam ao refeitório. Em algumas mesas, num canto, tem vultos envolvidos com plástico preto. 


Ele está cobrindo pessoas e ninguém está mais ligando para isso.  Alguns novos, mais afoitos, vão até lá. Levantam o plástico e dão uma olhada no estrago.


É horrível!... Ontem à noite na hora do “batismo” estavam todos vivos... Durante a madrugada, eles foram emboscados e pereceram (!)..Entretanto no front de uma guerra, alguns só perecem! Morrer?, só morrem um pouco mais tarde na hora dos relatórios. Tem soldados que ainda ficam vivos até 15 dias depois de morrerem.


Começa o almoço, tudo é normal. Alguns soldados novos enjoam e se afastam. É mesmo assim (!) logo acostumam. 


Durante todo dia “chovem” relatórios dos coronéis para os generais. Mais de 90% deles são mentiras convenientes. Para os chefes do Estado Maior a guerra contra a guerrilha “está ganha”: centenas de mortos dos contrários “ficaram” espalhados pela floresta “. Os boletins são convincentes”, não resta  a menor duvida ““. Pelos boletins o “inimigo” já acabou.


Depois de receber as noticia (do front) tão otimista, o general chefe de todas tropas redige um relatório “franco” para nosso presidente que, a bem da verdade, é o chefe máximo dos exércitos. Então, no palácio presidencial, ele não resiste e convida todo seu núcleo intimo (os donos da guerra), para comemorar e fazer um brinde às vitórias que se pronunciam!


Nada conterá a fúria dos nossos soldados! Nós “fomos feito para guerra”! Finalmente a OINA vai reconhecer os nossos feitos no campo de batalha e reconhecer o nosso direito internacional.

 

Passam-se alguns dias e os resultados não coincidem! O que está acontecendo que contraria as expectativas? Ninguém sabe ao certo o que se passa. Os chefes não conhecem a guerra. Enquanto ela se desenrola, eles tomam wisky e champanhe. A verdade é aquela que chega até eles. Os soldados e todo “baixo clero” da guerra  se divertem com as noticias dos jornais. Eles sabem que nada coincide.   Eles acreditaram nas nossas mentiras!


Muitas mentiras operacionais sucessivas produzem uma verdade quase “absoluta” sobre a guerra. Mas afinal nada bate com os últimos resultados. Os generais que não conhecem a guerra se desesperam. O inimigo está cada vez mais forte. Eles ressuscitam!

 

Depois de muitas falcatruas, nessa guerra de Relatórios, o chefe do Estado Maior mobiliza duas companhias de elite e determina uma ação estratégica contra a obstrução do entroncamento das estradas sul, norte. Por elas deveriam passar todos suprimentos terrestres. Não é mais suportável esse garroteamento.  Ali, a 2.000 metros de distancia se encontra há alguns meses uma companhia acuada, que apenas recebe suprimentos por pequenos aviões ou helicópteros.


Os guerrilheiros garroteiam as fortificações. Lançam morteiros dia e noite para dentro do acampamento que se encontra envolvido com três cercas consecutivas de arame fardado. E entre elas centenas de minas antipessoais.


Lá dentro é a paz dos “mortos vivos”. De noite, muitos soldados defecam e urinam junto da cama com medo de percorrer o espaço até os banheiros coletivos. É fétido...


Há mais de três semanas que os alimentos frescos não chegam. Todos desejam intimamente que ocorra alguma morte urgente.  Aí, quando o helicóptero chegar para retirar os corpos, sempre traz barras de chocolate, cervejas geladas, pêras, maçãs e uvas....


“Oh! Santo Deus, por que há mais de três semanas não morre ninguém?”. 


“Se Deus existisse, alguém já teria morrido para que o nosso helicóptero pudesse voltar”.


“Deus não esta nem aí para socorrer os vivos”  não é possível! .... “Será que Deus existe?”.


Nesse intervalo de desespero, o sargento 289 decide ultrapassar as cercas e caçar macacos perto da fortificação. Ao chegar, vai comê-los assados com alguns colegas que têm menos pudor. Tem ali soldados olhando estarrecidos! Não acreditam como seja possível comer macaco com as mãos voltadas para cima; como se estivessem pedindo perdão.

 

O capitão (comandante da companhia) é um “banana”. Está sempre “refugiado”. Quase ninguém vê a cara dele o tempo todo. Ele é um antigo “exibidor” de manobras em cavalos. Depois da guerra da independência e antes de ser destacado para esta missão na OINA, o corpo de tenentes conhecia a sua face mais sombria como a do capitão chorão. Ele sempre chora de medo antes de qualquer ação militar por mais insignificante que seja. É por isso que ninguém liga para ele. Esse capitão “cagado” nem fede, nem cheira. A companhia já não come há muito tempo. É exatamente pelas “ações estratégicas” “de mentirinha”, que somente constam dos relatórios. O entroncamento das estradas está garroteado há  meses.  Nada passa do porto até á companhia sitiada.


O projeto mais imediato desse capitão é “rezar muito”. Não só para que a desobstrução do entroncamento dê certo e, logo depois, tentar desertar “oficialmente” dali. Não dá pé naquele inferno de vivos. É bom compreender que a sua fé vem mais pelo excesso de medo do que pelas crenças religiosas. É uma fé “utilitária”.

 

Esse tipo de fé, a gente só carrega quando precisa. Além disso, a desobstrução não faz parte de nenhuma vitória. Somente vai servir para ele se safar. Afinal tem um coronel muito amigo que lhe prometeu uma transferência para a chefia do Estado Maior, caso as estradas se desobstruíssem.


O coronel até poderia alegar nos seus relatórios que essa vitória se deve apenas ao capitão e ao seu “alto espírito combativo”.  Talvez (quem sabe?) pudesse até ser condecorado “por bravura” e promovido a major por mérito. Seria o grande major deste país.


O dia da verdade finalmente chegou. Os caças começaram a cruzar sobre a companhia sitiada e na direção do entroncamento. Dali dá para observar a fortificação de tão perto que está. Os pelotões de comandos especiais se aproximam, cada dois fecham a quarta parte do cruzamento. Os bombardeios se concentram. Em volta, a floresta é densa. Mas não obstante a pressão aérea, um dos pelotões cai numa emboscada. Explodem minas pessoais, anticarro e rajadas de metralhadoras. Vários mortos são divididos em partes pelas bombas. Mais tarde, já com as ações mais serenadas, chegam muitos soldados da companhia sitiada quando percebem o momento em que os helicópteros chegam para evacuar os feridos e os mortos “vencedores”. Nesses conflitos de emoções e ações, os helicópteros descarregam frutas, cervejas geladas, alimentos frescos. Tudo à vontade! Podem escolher! Os mortos de um lado são a grande festa dos vivos do mesmo lado. Tudo na mais perfeita harmonia!...

 


Finalmente o entroncamento está livre! O chefe do Estado Maior resolve colocar quatro pelotões especiais de combate ali mesmo.  Logo, em breve, vai trocar o comando da companhia. As tropas especiais vieram para ficar.


Pela primeira vez, em meses, os soldados garroteados começam a ligar-se com as novas tropas. “Uma grande vitória da companhia”! Ela finalmente “se deixou encontrar” por terra...


Essas operações costumam ser intensamente noticiadas pela mídia com objetivo de baixar moral do “inimigo”. Daqui a 15 dias o capitão será finalmente substituído. Não só para um lugar destacado na chefia do Estado Maior, como também para fazer jus às festas que o aguardarão como “herói”! Logo ele passará a ocupar o cargo de secretário geral do Quartel General. “Graças a deus” somente os mais íntimos, que vão ficar para trás, saberão que ele também ficou conhecido, “no front”, como o capitão cagão.

 

Essa faceta não importa mais! Aquilo que fica para trás será esquecido. A memória do “mundo” é muito curta. Se passa por sobre os cadáveres sem se verem, desde que se tampe o nariz com dois dedos.


Entretanto, dentro da companhia ex-sitiada as esperanças se renovam. “Tão logo o capitão ocupe um escalão bem superior, vai olhar por eles...”.Ele vai mandar comida nova e fresca a cada 15 dias.... “Os helicópteros protegidos por caças virão trazê-la...” “Ele não vai esquecer o  lugar onde esteve em clausura e fome...”.


A estrada que leva ao porto finalmente está livre. Os comboios de veículos de suprimentos vão começar a circular. As equipes de comando e engenharia, idem. É necessário ultrapassar dois rios, com as pontes destruídas pelos guerrilheiros. Mas tudo vai dar certo.

 

Dentro da companhia o clima é de festa! Numa noite destas, cinco soldados empolgados e eufóricos, depois do toque de recolher, acenderam uma vela á noite, sobre um pequeno bolo, para comemorarem o aniversário de um deles. Em questão de minutos os guerrilheiros apoiaram uma bazuca sobre a ultima tela de arame farpado e dispararam. Os cinco morreram numa explosão única, e os seus crânios foram todos pulverizados como se fossem fogos de artifício “. As suas massas encefálicas viraram poeira cobrindo as paredes das varandas da caserna...”. Um verdadeiro festival.


Nessa hora, o capitão ainda presente, se “afundou” ainda mais no seu “bunker”. Era  úmido, mofento e fétido. Era bem parecido com aquele cheiro dos beliches onde alguns soldados evacuavam quando sentiam o medo entrar pelo traseiro...

Finalmente o “nosso herói” vai ser transferido. Mas ele não deseja sair dali, nem de avião, nem de helicóptero. Ele tem muito medo de um ataque relâmpago á pista de terra batida. Prefere ser acompanhado por um combóio de veículos até o porto e, de lá, partir num barco militar. E assim foi...


Quando, então, se preparava para entrar no barco-chata todo em aço reforçado, acompanhado com escolta... Todos reparam que ele havia dobrado os joelhos e caído até perto do pequeno oásis florestal do porto da companhia. Uma única bala silenciosa, disparada á distancia, atravessou o seu crânio...  .  O guerrilheiro devia estar perto  e camuflado na pequena floresta próxima.

 


Então, quando finalmente chegou junto da sua família, para ser sepultado com todas as honras militares e envolto pela bandeira nacional – a bandeira daquele “povo independente” e com um presidente democrático “guerreiro” eleito pelo voto livre!, a sua alma pôde ouvir finalmente o discurso daquele presidente: “o vencedor” por  55 milhões de votos contra 37 milhões do seu opositor. A sua palavra era Santa.

 

Por último, a grande vitória heróica do major reforçou a independência nacional! ...  Há males que vêm para o bem. Então, aqui, só para nós, que ninguém nos houve: “ainda bem que morreu o major”. Ele uniu a Nação em torno do inimigo comum!


A sua morte propicia o desencadear de um “marketing de interrupção” em relação aos “verdadeiros motivos” da guerra. Logo serão marcadas as novas eleições. O senhor presidente do Estado “irá para o seu 3º mandato pela imposição da” vontade do povo “:” a voz do povo é voz de deus “. Mas a única vontade que precisa ser resolvida nesta” 3ª oportunidade “é que o presidente deixe de renovar a concessão do 2² canal de tv aberta,  pois este sempre apresentou uma crítica” fora dos padrões democráticos “” ao Exmo Senhor Presidente.

 

Desta vez, nesta nova eleição, num verdadeiro “marketing de interrupção”, o presidente deste país vai defender exatamente o slogan que sempre foi defendido nas criticas  do º2 canal: “nós iremos trazer de volta para casa todos os nossos soldados...”. Durante mais de 8 anos o nosso pais, independente e livre, já deu a sua contribuição, através da irretocável OINA...


Mas, para que nenhuma das “nações” pense errado sobre os propósitos revolucionários deste “grande povo”, o embaixador  naquela organização emitirá um comunicado explicando que essa decisão não indica discordância dos propósitos da OINA. A atitude “deste nosso país livre” vai ser tomada para estancar um pouco os gastos com vidas e materiais bélicos nas operações que já duram há quase 10 anos.


Para a Comunidade das “Nações” amigas nada abalará a “sensibilidade heróica” do “nosso povo”. Ao propor, hoje, a retirada é exatamente para atender às expectativas “deste nobre povo”.


E agora, que somos o último novo membro da Organização Conjuntural dos Produtores de Petróleo (OCPP), precisamos lutar para baixar a produção e, com isso, os preços voltem a subir...


... As guerras reais são isso aí!...  Nada muda em nenhum lugar do nosso Planeta que, infelizmente, para as futuras gerações, já começa irreversivelmente a DESINTREGRAR-SE.


Se tivermos a coragem de ir reformulando a nossa consciência, e praticarmos pequenos atos reais, é uma situação que faremos bastante justa, para nós, e para os outros seres humanos em apuros.

 


Entretanto, se você não acredita piamente que, todos pensando e atuando juntos, teremos chances, será bem melhor começar a executar o seu loby e, logo, logo, estará com a sua guerra lucrativa em andamento...

Nós, pelo nosso lado, prometemos, se ela for interessante, ordenar que se faça o Relatório da sua guerra, a quatro mãos. Por uma questão de interesses e influência, nós só estaremos relatando o lado interessante das guerras importantes!!!

 

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